segunda-feira, 21 de junho de 2010

A Lenda da Campa do Preto




A campa do preto, fica situada na freguesia de Gemunde no lugar do mesmo nome no concelho da Maia. O seu jazigo fica á margem da estrada que liga Castêlo da Maia á Vila de Matosinhos.




Um preto de pura alma branca cujo o nome se perdeu. Servia em casa de um fidalgote que o tempo e a lenda empurraram singularmente para o anonimato.




O tempo mas não muito que os nosso antepassados situam a acção da história em torno de 1790.




Hà os que dizem Santo Preto, porém a lenda que envolve o principal protagonista desta história não são auferidos ao africano quaisquer tipos benesses sobrenaturais em beneficio proprio ou de terceiro.

Pois em 1790 existia um solar em guilhabreu, Vila do conde ( donde dista 11km).

alguns historiadores são de opinião ter sido esta casa o berço de Gonçalo Mendes, o Lidador da Maia.


Pois nessa casa(e agora entramos na lenda através da sua versão mais corrente) vivia um fildagote provinciano, e com todas as caracteristicas, permita-se o pleonasmo de fidalgote provinciano com a agravante de ser setecentista, se acaso ser setecentista constitui agravante. Dotado de instintos primários à flor de pele, percorria os seus campos e aldeias á procura de uma nova donzela para dar novo tom aos seus fastidiosos momentos ocasionados pela notável arte de não fazer nenhum.


vamos, pois, surpreendê-lo num dia em que conseguiu arrasstar até à sua solarenga mansão uma donzela aldeã de rosto formoso, de corpo bem formado, longas tranças e olhos castamente baixos. De sala em sala, ao longo dos corredores conseguiu levá-la até aos seus aposentos mais íntimos. Tiranetezinho de trazer por causa, tentou seduzi-la mas os seus modos canhestros lograram apenas a repulsa da jovem. E o fidalgote não esteve com meias medidas. A intenção era violentá-la. E se intentou com presteza, mais rápida foi a moça ciosa da sua honra, que fugiu. Fugiu internando-se sem alternativa numa grande seara de trigo.

Enraivecido pelo malogro das suas intenções, o fidalgote jurou dupla vingança. E chamou o seu criado negro. A ele e aos outros criados. Que queimassem a seara. Logo os criados, de archote em punho se lançaram na periferia da seara a incendiá-la. O criado preto apagou o archoote e assim uma zona da seara demorou mais tempo a arder, por ali se encaminhou a donzela fugindo.


Derrotado o fidalgote chamou o preto:

- Desobedeceste-me!

-Patrãozinho, eu não podia queimar o pão nem a menina. A maldição cairia sobre nós...

-Bem, não vais voltar a desobedecer-me.

-Pois não, patrãozinho. Desculpe-me sim!

-Aparelha-me o cavalo que eu vou á festa da senhora da hora!

-Muito bem, eu aprelho patrãozinho.


Montado, instantes depois no seu alazão, o fidalgote passou uma corda em torno do pescoço do escravo preto e amarrou outra à sela.


- Agora vais acompanhar-me, rapaz.

-Sim patrãozinho eu obedeço.

E o fidalgote lançou o cavalo à desfilada. A estrada para Senhora Da Hora passava por Gemunde. Ao principio, o preto corria, mas depois soçobrou fatigado. Corpo caído e sacudido entre as pedras. O fidalgo esporeava a sua montada e o desgraçado do preto morto dos primeiros encontrões nos rochedos, ia ficando com o cadáver retalhado pelo caminho. Desmembrado da maneira mais horrivel.

O bom povo dali apercebeu-se do que se passava e lançou-se, multidão amoitada e a pé em perseguição do fidalgote assassino.

Pelo caminho iam recolhendo os pedaços do desgraçado. Em Gemunde encontraram a cabeça do pobre preto. Apercebendo-se de que o cadáver estava completo. Logo lhe deram sepultura, amaldiçoando os fidalgos do patrão infame.

Lugar de lembrança de um preto martirizado, assim ficou a Campa do Preto.

À volta desta campa o povo faz as suas preces, reza ajoelha-se e tem o preto como Santo. Como forte testemunho diz-nos a pedra de cobertura do mausoléu assim como cruzeiro estes datados de 1883 e 1892 promessa feita pelos pescadores de Matosinhos nas horas aflitivas de vendavais.


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